A produção física da indústria não saiu do lugar (0%) entre dez/18 e fev/19 e as vendas reais do comercio varejista ampliado variou meramente +0,2%. O retrocesso mais intenso ocorre no setor de serviços, cujo patamar de faturamento real em fev/19 era 0,9% menor do que aquele de dez/18.

 

Depois das dificuldades do final do ano passado, o início de 2019 também tem sido desanimador, o que vem levando a cortes nas projeções de crescimento do PIB, que caminha para mais um resultado medíocre. Sinal disso é que o nível de atividade em fev/19 frente a dez/18, segundo o indicador IBC-Br do Banco Central, registra declínio de -1% já descontados os efeitos sazonais. Ou seja, por enquanto, 2019 ainda não adicionou dinamismo nenhum à recuperação econômica.

O quadro de janeiro de 2019 se prolongou para o mês de fevereiro em praticamente todos os grandes setores da economia. Quem conseguiu crescer, como a indústria, cresceu pouco e mal conseguiu fazer frente aos danos da virada do ano. Embora estejamos somente no início do ano, esta perda de ímpeto já foi o suficiente para sucessivos cortes nas projeções do PIB de 2019. Corremos o risco de ter mais um ano de crescimento medíocre.

Em fevereiro, o setor de serviços repetiu janeiro e registrou queda de -0,4% frente ao mês anterior com ajuste sazonal. O comércio varejista ficou estável (0%) em seu conceito restrito, mas ao serem consideradas as vendas de automóveis, autopeças e material de construção, passa a apresentar o pior desempenho no mês: -0,8% ante jan/19, já com ajuste. A indústria foi quem conseguiu ampliar a produção em +0,7%, anulando a queda de -0,7% de janeiro.

Com isso, por enquanto, 2019 praticamente não adicionou dinamismo nenhum à recuperação econômica. Ao se comparar o nível de atividade de fev/19 com aquele de dez/18, já descontados os efeitos sazonais, temos um retrato da situação atual: a produção industrial ficou estagnada (0%), as vendas reais do comércio varejista ampliado variaram apenas +0,2% e o faturamento do setor de serviços regrediu -0,9%.

Sintetizando essas evoluções, o indicador IBC-Br do Banco Central, que funciona como uma proxy do PIB, registrou a maior queda em fev/19 desde ago/17, se desconsiderarmos a forte volatilidade dos meses de maio e junho do ano passado devido a greve dos caminhoneiros. O nível de atividade geral em fev/19 foi 0,7% menor do que em jan/19 e 1% abaixo daquele de dez/18, já com a sazonalidade corrigida.

Em outras palavras, não há nenhum motivo para comemoração. A afirmação é ainda mais verdadeira no caso da indústria, cuja trajetória de desaceleração iniciada logo nos primeiros meses de 2018, como o IEDI enfatizou em várias de suas Análises, levou o setor ao vermelho no último trimestre do ano passado. O ponto em que a indústria se encontra no 1º bimestre de 2019 não é muito melhor: -0,2% frente ao 1º bim/18.

A deterioração industrial, embora mais aguda em alguns casos, não é um movimento concentrado em poucos ramos ou localidades. No acumulado de jan-fev/19 frente ao mesmo período do ano anterior, 54% dos 26 ramos acompanhados pelo IBGE ficaram no vermelho e 60% dos parques regionais não conseguiram crescer.

A situação é mais grave para bens intermediários, mas bens de capital também foram duramente atingidos, levando sua produção a uma virtual estagnação em jan-fev/19 frente ao mesmo período do ano anterior. Bens de consumo não repetiram a queda do 4º trim/18, mas também desaceleraram no caso de duráveis ou mantiveram-se próximos da estabilidade, no caso de semi e não duráveis.

Regionalmente, os dados do IBGE mostram que, salvo poucas exceções, apenas os parques industriais do Sul vêm registrando uma evolução positiva e consistente de meados do ano passado até o primeiro bimestre de 2019. As maiores dificuldades estão concentradas nas regiões Sudeste, sobretudo em São Paulo (-4% no 4º trim/18 e 0% no 1º bim/19), que é o coração industrial do país, mas também no Nordeste e em parte do Norte e do Centro-Oeste.

Para o comércio varejista, o 1º bimestre de 2019 (+2,8% ante 1º bim/18) indica um começo de ano não muito diferente do final de 2018 em seu conceito restrito. No caso do varejo ampliado, há algum progresso, ao passar de +4,4% no 4º trim/18 para +5,4% no 1º bim/19.

Também marca o desempenho do varejo neste período a concentração do crescimento em poucos ramos do setor. Embora 8 dos 10 ramos acompanhados pelo IBGE tenham registrado variações positivas em relação a jan-fev/18, apenas 3 apresentaram contribuições significativas ao resultado geral: veículos e autopeças; supermercados, alimentos, bebidas e fumo; e outros artigos de uso pessoal e doméstico.

Já o setor de serviços, cujas bases de comparação permanecem deprimidas, ajudando seu desempenho em relação à situação de um ano atrás, registrou alta de +2,9% de seu faturamento real no 1º bimestre de 2019. Na origem desta alta em serviços estão sobretudo os segmentos de serviços de informação e comunicação (+4,8% ante 1º bim/18), serviços prestados às famílias (+4,3%) e outros serviços (+5,4%), que reúnem um conjunto diversificado de atividades.

Todos estes têm componentes pertencentes às cestas de consumo da população e, por isso, é possível que seja justamente o consumo das famílias que esteja por trás da recuperação do setor de serviços como um todo. Nos segmentos mais associados às empresas, as altas de faturamento, quando existem, têm sido muito mais modestas.

[Estudo Completo(PDF)]

 

Fonte:
IEDI –
(11) 5505-4922
https://iedi.org.br