Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia anuncia as 10 empresas selecionadas para a terceira turma

ANIP

A produtora A Banca – em parceria com a Artemisia e o Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getulio Vargas (FGVcenn) -, anunciou as novas 10 empresas que vão compor a terceira turma da Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP). As empresas Silvana Trucss, Enjoy Alimentação Orgânica, Jaubra, Recifavela, HOTD, Kitanda das Minas, LiteraRUA, Meninos da Billings, Atuarquitetura e Clinfy são as novas selecionadas. Criadas em periferias das zonas leste (50%), norte (30%) e sul (20%) da cidade de São Paulo, de diferentes setores de atuação, as startups de impacto social têm 60% de liderança feminina. Ao longo do processo de aceleração, os empreendedores com participação ativa no processo poderão receber um capital-semente de até R$ 20 mil.

Uma nova geração de empreendedores de impacto social tem surgido nas periferias brasileiras e se firmado como potência de inovação, impacto e superação. Para apoiar e potencializar esse empreendedorismo transformador, a produtora A Banca – em parceria com a Artemisia e a FGVcenn – criou a Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia(ANIP), em 2018. Com a proposta de contar essa história sobre o protagonismo da periferia na criação de soluções que impactam as quebradas e a sociedade como um todo, a iniciativa seleciona e acelera os negócios mais promissores.

Na última terça-feira, 16 de abril, foi anunciado 10 novas empresas, fundadas em diferentes periferias da cidade de São Paulo: 50% dos empreendedores são da zona leste, 30% norte e 20% sul; entre as selecionadas, 60% são lideradas por mulheres. Os negócios que vão compor a terceira turma da ANIP – que contou com a análise de 168 empresas – são Silvana Trucss, Enjoy Alimentação Orgânica, Jaubra, Cooperativa Recifavela, HOTD, Kitanda das Minas, LiteraRUA, Meninos da Billings, Atuarquitetura e Clinfy.

O programa de aceleração pelo qual os empreendedores vão passar prevê encontros temáticos presenciais, acompanhamento individual e mentoria pós-aceleração. Entre os temas a serem abordados durante o processo de aceleração: impacto social e modelos de negócios sustentáveis; competências empreendedoras; gestão financeira; marketing digital; questões jurídicas; inovação; estruturação e refinamento do negócio; e conteúdos adaptativos de acordo com a demanda de cada negócio selecionado. Ao final da aceleração, os empreendedores com participação ativa no processo poderão receber um capital-semente de até R$ 20 mil.

Segundo DJ Bola, presidente-fundador da produtora A Banca e um dos idealizadores da Aceleradorade Negócios de Impacto da Periferia, uma nova geração de negócios de impacto social só será efetiva se a população das periferias brasileiras se tornar protagonista na criação de empresas que solucionem os problemas sociais e ambientais da quebrada – e não apenas atuando como cliente ou beneficiária. “Acreditamos que nas diversas periferias do país há empreendedores e empreendedoras com ideias e soluções com alto potencial de impacto social e ambiental. Esses empreendedores, com o suporte adequado, podem escalar e impactar positivamente milhares de pessoas”, salienta, acrescentando que essa crença motivou os organizadores a abrirem o processo para outras periferias de São Paulo.

O empreendedor social pontua que as primeiras edições do programa foram responsáveis pela aceleração de empresas Boutique de Krioula, Empreende Aí, Ecoativa, Jovens Hackers, Editora Selo Povo, Periferia em Movimento, Bora Lá, Nutrir-Si, Bio Afetiva e Gastronomia Periférica – todas empresas da periferia da zona sul de São Paulo que tiveram seus negócios potencializados. “Os empreendedores tiveram acesso a uma rede de pessoas incríveis, que proporcionaram a troca de conhecimento e o contato com outros empreendedores, gerando um grande aprendizado para todos envolvidos”, relata.

Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, afirma que as organizações se uniram por um sonho em comum: potencializar o desenvolvimento de negócios de impacto social na periferia com soluções voltadas para endereçar desafios sociais e ambientais. “Além de apoiar, queremos também incentivar o surgimento de novos negócios de impacto dentro das periferias, que hoje representam uma parcela pequena dentro do ecossistema de empreendedorismo de impacto”. E acrescenta: “trabalharemos para criar pontes entre empreendedores acelerados provenientes de realidades distintas”.

Edgard Barki, professor da FGV, reforça que é preciso mudar a lógica do mercado, colocando a periferia como protagonista no campo de negócios de impacto. “Essa é a nossa proposta com o programa, cujo foco é no apoio e fomento dos empreendedores de impacto social que vêm das periferias. Acreditamos que há muita riqueza, conhecimento e talento nas periferias que podem impactar a sociedade de forma inovadora e diferenciada”, avalia.

A Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia conta com o patrocínio da British Council, Fundação Via Varejo, Fundação Lemann, Fundo AZ Quest, Instituto Vedacit e Fundação Tide Setubal.

Os selecionados:

SILVANA TRUCSS – Guaianases – https://silvanatrucss.com.br / Fundada por Silvana Aparecida Bento Silva, em 2016, a marca de moda praia e lingerie criou uma calcinha em formato de funil para mulheres trans. O produto patenteado da grife Silvana Trucssproporciona dignidade, bem-estar e prevenção à saúde. De acordo com a empreendedora, o Sistema Único de Saúde (SUS) atende inúmeros casos de pacientes LGBT+ que chegam à emergência com problemas causados pela aplicação inadequada de colas e fitas adesivas usadas para esconder o pênis, por não terem acesso a outras soluções para seu dia a dia.

ENJOY ALIMENTAÇÃO ORGÂNICA – M’Boi Mirim – https://www.instagram.com/enjoyorganicos / Fundada em 2018 por Joyce Izauri de Jesus e Robert Pereira, a Enjoy Alimentação Orgânica é um delivery de alimentos orgânicos previamente selecionados pelos consumidores – prioritariamente, moradores das periferias – e enviados semanalmente a suas casas. Ou seja, o alimento não passa pelas prateleiras, o que evita o desperdício. A empresa surgiu da observação do cotidiano de parentes de Joyce, residentes em Minas Gerais. “Eles produzem 75% dos alimentos que consomem. Eu uni essa experiência com a de moradora da periferia de São Paulo e decidi empreender em benefício da própria comunidade”, detalha a empreendedora. A empresa comercializa a produção local e orgânica do bairro Parelheiros – que, antes, era destinada a bairros de elite de São Paulo. Atua para que a produção seja vendida no próprio bairro e com trocas de mudas orgânicas, experiências gastronômicas, oficinas de compostagem e criação de hortas. “Comercializamos a produção local e orgânica que, antes do negócio, costumava abastecer as feiras especializadas de bairros nobres de São Paulo. Hoje, a produção começa a fluir aqui mesmo, em Parelheiros, onde antes quase não havia comercialização de alimentos orgânicos para população”, conta Joyce.

JAUBRA – Brasilândia – https://jaubra.com.br / A comunidade da Brasilândia, em São Paulo, enfrenta a falta de oferta de transporte privado na região, já que os serviços tradicionais muitas vezes se recusam a circular dentro de algumas áreas da cidade. Foi observando os desafios da mobilidade no bairro e a necessidade de gerar empregos para os motoristas que Alvimar Silva e a filha Aline Silva criaram a JAUBRA, plataforma de transporte que atende as periferias e as regiões que são consideradas “de risco” por outros aplicativos. A iniciativa – que trabalha com uma taxa competitiva, em comparação a outros aplicativos similares – também oferece a opção de corridas compartilhadas, o que otimiza as locomoções de um ponto a outro. Com isso, os moradores passaram a ter mais mobilidade, conforto e segurança para se deslocarem em qualquer horário.Fundada em 2017, o negócio de impacto social conta, hoje, com 50 motoristas cadastrados e atende cerca de 3 mil chamadas por mês.

RECIFAVELA – Vila Prudente – https://www.facebook.com/COOPERECIFAVELA / O ex-camelô Cristiano Gonçalves Cardoso fundou, em 2007, uma cooperativa de materiais recicláveis com o desejo de mudança. O sonho era de reunir cidadãos da Favela Vila Prudente – uma das comunidades mais antigas da cidade de São Paulo. Hoje, a Recifavela conta com 32 cooperados que separam materiais recicláveis com grande dedicação e profundo respeito ao meio ambiente. Entre os impactos sociais – além da geração de emprego e renda, sendo que cada cooperado pode ganhar até R$ 3 mil mensais – a separação dos resíduos sólidos promove o descarte correto, evitando que esse material vá parar em lixões e aterros sanitários. O empreendedor idealizou uma loja virtual que funciona no site da cooperativa e vende produtos recicláveis com a marca da entidade. Uma das realizações recentes é a parceria com o Banco Maré, da Favela da Maré no Rio de Janeiro, que permite realizar e receber pagamentos em cripto moeda virtual, gerando um terceiro impacto: a circulação do dinheiro dentro da comunidade.

HOTD – Have Options to Dress – Itaquera – https://www.hotd.com.br / Criado por Carlos Alberto Silva em 2017, a Have Options to Dress (HOTD) é uma startup que visa reinventar a forma como as pessoas utilizam as roupas. Funciona como um guarda-roupa virtual de consumo compartilhado; com um plano de assinatura, oferece 12 roupas diferentes por mês. A proposta é ser disruptivo em um mercado tradicional, oferecendo um modelo de consumo mais sustentável e inclusivo que emerge da periferia de Itaquera para ganhar o mundo.

KITANDA DAS MINAS – Cidade Tiradentes – https://www.facebook.com/kitandadasminas / Negócio de impacto social voltado à inclusão de mulheres negras e imigrantes africanas no segmento de alimentação, hospitalidade, cultura e lazer, o Kitanda das Minas foi fundado em 2015 por Priscila Aparecida Novaes. A empresa oferece serviço de alimentação – um afrobuffet– para empresas interessadas em transformar a contratação em ação de responsabilidade social.

LITERARUA – Casa Verde – https://www.facebook.com/LiteraRUASelo / Criada em 2012 por Toni Carlos Pereira, a LiteraRUA é um coletivo de autores e produtores de livros e soluções editoriais, formada por profissionais com larga experiência em produção cultural. A missão do negócio é dar voz a autores e artistas populares para a criação de produções culturais da periferia.

MENINOS DA BILLINGS – Capela do Socorro – https://www.facebook.com/meninosdabillings / Operadora de turismo náutico, a Meninos da Billings atua na represa Billings e Guarapiranga com experiências com pescadores e instrutores da comunidade do Grajaú. Criada por Adolfo Souza Duarte em 2016, tem por objetivo construir um polo de remo (canoas e caiaques) coletivo para ampliação de renda local.

ATUARQUITETURA – Perus – https://www.atuarquitetura.com.br / Negócio de construção e reforma que atua na periferia noroeste de São Paulo, a Atuarquitetura foi fundada por Patrícia Barbosa Monteiro. A proposta é oferecer projetos de arquitetura e assessoria na execução de obras para residências e pequenos negócios, com objetivo de gerar economia, segurança e qualidade de vida.

CLINFY | São Miguel Paulista | http://www.clinfy.com.br / Negócio de impacto social na área da saúde, a Clinfy foi fundada em 2018 por Kedma Gomes Delmondes. Tem como foco atual de atuação oferecer uma melhor experiência na hora de contratar um profissional da área de saúde – cuidadores, babás e enfermeiros. A empreendedora ainda vislumbra, pelo site e aplicativo, fazer o processo de contratação ser ainda mais simples e ágil. Também planeja levar acessibilidade na área da saúde em outros eixos de atuação como: tradução de receitas e guias médicas; pesquisa de medicamentos mais baratos de acordo com a região; envio de lembretes para uso de medicamentos; e monitoramento dos batimentos cardíacos e localização (em caso de desaparecimento) por meio de uma pulseira.

Contatos:
A Banca
(11) 5834-8025
https://www.abanca.org/

FGVcenn
(11) 3799-3439
https://cenn.fgv.br

Artemisia
(11) 3812-4303
https://artemisia.org.br/